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O mundo acabou: curaram a ressaca! - Por Juarez becoza - Jornal O GLOBO

Caro leitor:

Durante toda a minha vida, sempre sonhei com a panacéia ideal para eliminar a ressaca. Já li muito a respeito, fiz experimentações, e sempre terminava concluindo, em meio a uma enorma dor de cabeça, que a única solução para a ressaca era mesmo não beber. Ou beber menos, e sempre acompanhado de muita água.

Esta era uma verdade absoluta, que apesar de incômoda nos tranquilizava em toda a sua inexorabilidade. O mundo, afinal, não mudara tanto assim. A ressaca do século XX era a mesma que sentiam os monges trapistas ou os soldados romanos. E dá-lhe cama com água gelada para curar...

Mais eis que surge agora, disponível nas prateleiras de qualquer posto de gasolina, uma bebida, uma fórmula mágica confinada numa garrafinha de 30 ml, que promete curar a ressaca. E o que é pior: promete e cumpre, caro leitor... Promete e cumpre. Caiu por terra a penúltima impossibilidade absoluta do mundo. Só falta agora venderem bilhetes para viajar no tempo.

A bem da verdade, a tal bebida, importada da França e que atende pelo nome de "Security", não cura nada na acepção correta do verbo. O álcool segue fazendo o mal de sempre. O que a garrafinha faz é eliminar alguns dos sintomas mais importantes da ressaca, notadamente aqueles relacionados à irritação estomacal causada pelo álcool, e que provoca aquelas colossais dores de cabeça e no corpo. Não elimina, porém, os efeitos da desidratação e da intoxicação pelo álcool, que causam desde simples enjôos e tonturas até complicações muito mais sérias.

Digo isso, caro leitor, porque não resisti a testar a beberragem. O fiz três vezes, desde que voltei de férias, há 20 dias. O resultado é uma sensação variável e por vezes curiosa. Depois de uma boa noitada - e de tomar o conteúdo da garrafinha antes de dormir - acorda-se com a nítida sensação de que se está, sim, de ressaca. Mas cadê os tão familiares sintomas desagradáveis? Sumiram... É uma sensação estranha, como se nos faltasse algo. Sabemos o que fizemos - a boa e velha culpa também está ali - mas desta vez a punição não veio. O que torna a experiência ainda mais curiosa. Cadê a penitência, meu Deus? Estranho, muito estranho... Acho que vou continuar como fazia antes: beber pouco. Ou enfrentar a ressaca de peito aberto mesmo. É mais honesto.

***

Vale lembrar que o "remédio" não funciona se a bebedeira for daquelas mais irresponsáveis, isto é, desacompanhadas de água. Nesse caso, a tontura vem forte. Afinal, contra a desidratação não há outro remédio que não seja água mesmo. Até que a ciência nos prove o contrário de novo, é claro...

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SECURITY na MIDIA: Jornal O GLOBO

 

Jornal O GLOBO -- REVISTA O GLOBO -- domingo, 9 de maio de 2010

Por Fátima Sá

fotos de Camilla Maia

 

A garrafinha é pequena, com apenas 30 mililitros. O liquido é claro, como um chá. E o gosto... Bom, o gosto lembra pera. Mas o que conta mesmo é o que acontece depois que se bebe.

 

Fabricado na França e recém chegado ao Rio, o Security promete acabar com a ressaca. Ou pelo menos reduzir bastante o impiedoso mal-estar do dia seguinte ao exagero, e isso vale tanto para o exagero etílico quanto gastronômico.

 

A coisa funciona assim: bebeu demais? O fabricante recomenda que se tome uma garrafinha, de preferência gelada, antes de dormir (difícil é se lembrar disso depois de ter bebido muito). Comeu demais? Uma garrafinha depois da comilança. Ou durante, se necessário.

 

– Quando alguém duvida, digo para fazer o teste. Só entramos nessa porque comprovamos — diz Michel Kneit, um dos sócios da Goldbell, empresa carioca que detém a exclusividade no comércio do produto no Brasil, na Argentina, na Costa Rica e nos Estados Unidos.

 

Nós testamos. Uma pessoa não teve ressaca. Outra teve uma ressaca levinha. Outra teve a mesma ressaca de sempre. Ai, consultamos um médico, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Hematologia, Mário Pessoa. Eis o que ele disse:

 

– A ressaca é resultado da desidratação. E pode até ser que algum produto alivie essa sensação de mal-estar. Mas não se pode, de maneira alguma, concluir que ele protege o fígado. Não existem produtos, testados cientificamente, que protejam o fígado dos efeitos nocivos do álcool. Não se pode achar que basta tomar e sair por ai consumindo bebidas alcoólicas sem risco. Isso seria propaganda enganosa.

 

Na França, o Security causou frisson e polêmica quando foi lançado em 1996. Alguns diziam que, ao diminuir o incomodo gerado pelos excessos, ele estimularia o consumo de álcool. Depois, o produto chegou a ser retirado do mercado justamente pelos apregoados efeitos “limpadores do fígado”. Os fabricantes ajustaram a propaganda, e as garrafinhas foram liberadas. Nos últimos anos, elas chegaram aos supermercados. Hoje, a bebidinha, uma mistura de várias ervas, incluindo chá preto, é vendida em mais de 20 países.

 

O sucesso na França chegou aos ouvidos do carioca Samuel Goldstein graças a um toque da mulher dele, que tinha lido sobre o produto numa revista gringa. A reportagem falava que a garrafinha era mania entre os famosos. Samuel pirou na ideia. Era o fim da busca pelo "Santo Graal de todos os que gostam de curtir os prazeres etílicos, mas detestam enfrentar os efeitos colaterais".

 

– Para saber se era verdade, ele passou duas semanas testando o produto – entrega Michel. – Bebia e no dia seguinte,  cedo, saía pra correr, sem nenhum mal-estar.

 

Decidido a trazer o Security para o Brasil, Samuel foi atrás dos produtores, que não demostraram interesse pelo Brasil. No fim de 2007, aproveitando o casamento de um primo em Paris, ele voltou à França e insistiu para ter um encontro como algum representante da bebida. Dias depois, o fundador da empresa produtora, Patrick Nicaise, foi vê-lo no hotel. Bom de lábia e cheio de números sobre o mercado brasileiro, Samuel voltou com um contrato de representação exclusiva do produto.

 

No Rio, ele chamou os amigos Michel e Pedro Zander para conhecer — e testar — a bebida. Viraram sócios. Outro amigo, Luciano Dutra, que já importava alimentos, entrou para o time como gerente comercial. A partir dai, começou o trabalho para registrar o produto, inclusive na Anvisa. As garrafinhas começaram a ser vendidas, como teste, durante o carnaval, no posto de gasolina em frente ao Parque do Cantagalo, na Lagoa. Depois, o produto apareceu em festas pagas. Agora esta a venda em alguns postos BR, Shell e Ipiranga, a preços que vão de R$ 12,90 a R$ 15. E pelo site http://www.bebasecurity.com.br que envia para todo o pais. Até agora, só Roraima não comprou.

 

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