Jornal O GLOBO -- REVISTA O GLOBO -- domingo, 9 de maio de 2010

Por Fátima Sá

fotos de Camilla Maia

 

A garrafinha é pequena, com apenas 30 mililitros. O liquido é claro, como um chá. E o gosto... Bom, o gosto lembra pera. Mas o que conta mesmo é o que acontece depois que se bebe.

 

Fabricado na França e recém chegado ao Rio, o Security promete acabar com a ressaca. Ou pelo menos reduzir bastante o impiedoso mal-estar do dia seguinte ao exagero, e isso vale tanto para o exagero etílico quanto gastronômico.

 

A coisa funciona assim: bebeu demais? O fabricante recomenda que se tome uma garrafinha, de preferência gelada, antes de dormir (difícil é se lembrar disso depois de ter bebido muito). Comeu demais? Uma garrafinha depois da comilança. Ou durante, se necessário.

 

– Quando alguém duvida, digo para fazer o teste. Só entramos nessa porque comprovamos — diz Michel Kneit, um dos sócios da Goldbell, empresa carioca que detém a exclusividade no comércio do produto no Brasil, na Argentina, na Costa Rica e nos Estados Unidos.

 

Nós testamos. Uma pessoa não teve ressaca. Outra teve uma ressaca levinha. Outra teve a mesma ressaca de sempre. Ai, consultamos um médico, o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Hematologia, Mário Pessoa. Eis o que ele disse:

 

– A ressaca é resultado da desidratação. E pode até ser que algum produto alivie essa sensação de mal-estar. Mas não se pode, de maneira alguma, concluir que ele protege o fígado. Não existem produtos, testados cientificamente, que protejam o fígado dos efeitos nocivos do álcool. Não se pode achar que basta tomar e sair por ai consumindo bebidas alcoólicas sem risco. Isso seria propaganda enganosa.

 

Na França, o Security causou frisson e polêmica quando foi lançado em 1996. Alguns diziam que, ao diminuir o incomodo gerado pelos excessos, ele estimularia o consumo de álcool. Depois, o produto chegou a ser retirado do mercado justamente pelos apregoados efeitos “limpadores do fígado”. Os fabricantes ajustaram a propaganda, e as garrafinhas foram liberadas. Nos últimos anos, elas chegaram aos supermercados. Hoje, a bebidinha, uma mistura de várias ervas, incluindo chá preto, é vendida em mais de 20 países.

 

O sucesso na França chegou aos ouvidos do carioca Samuel Goldstein graças a um toque da mulher dele, que tinha lido sobre o produto numa revista gringa. A reportagem falava que a garrafinha era mania entre os famosos. Samuel pirou na ideia. Era o fim da busca pelo "Santo Graal de todos os que gostam de curtir os prazeres etílicos, mas detestam enfrentar os efeitos colaterais".

 

– Para saber se era verdade, ele passou duas semanas testando o produto – entrega Michel. – Bebia e no dia seguinte,  cedo, saía pra correr, sem nenhum mal-estar.

 

Decidido a trazer o Security para o Brasil, Samuel foi atrás dos produtores, que não demostraram interesse pelo Brasil. No fim de 2007, aproveitando o casamento de um primo em Paris, ele voltou à França e insistiu para ter um encontro como algum representante da bebida. Dias depois, o fundador da empresa produtora, Patrick Nicaise, foi vê-lo no hotel. Bom de lábia e cheio de números sobre o mercado brasileiro, Samuel voltou com um contrato de representação exclusiva do produto.

 

No Rio, ele chamou os amigos Michel e Pedro Zander para conhecer — e testar — a bebida. Viraram sócios. Outro amigo, Luciano Dutra, que já importava alimentos, entrou para o time como gerente comercial. A partir dai, começou o trabalho para registrar o produto, inclusive na Anvisa. As garrafinhas começaram a ser vendidas, como teste, durante o carnaval, no posto de gasolina em frente ao Parque do Cantagalo, na Lagoa. Depois, o produto apareceu em festas pagas. Agora esta a venda em alguns postos BR, Shell e Ipiranga, a preços que vão de R$ 12,90 a R$ 15. E pelo site http://www.bebasecurity.com.br que envia para todo o pais. Até agora, só Roraima não comprou.